Energia no supermercado: onde está o dinheiro e quais caminhos avaliar

Energia no supermercado: onde está o dinheiro e quais caminhos avaliar

Energia no supermercado deixou de ser um detalhe e virou uma linha de despesa que mexe direto com a margem. Quando se olha o faturamento, a energia hoje representa entre 1% e 1,5% (algumas vezes até mais). Quando se olha o total das despesas, ela fica entre 4% e 8%.

O ponto é que o mercado de energia está mudando rápido: surgiram tecnologias para gerar a própria energia, e a regulação vem acompanhando para tornar essas soluções viáveis. Para o supermercado, isso abre alternativas que antes não existiam.

Por que a energia pesa tanto na gestão do supermercado

Energia é uma despesa relevante dentro do dia a dia do supermercado. E, por ser recorrente, qualquer decisão bem tomada (ou mal tomada) vai se repetir mês após mês na conta.

Por isso, antes de correr para a “solução da moda”, vale entender que existe um contexto maior: o setor vive uma transformação acelerada, combinando inovação tecnológica e avanço regulatório para abrir opções além da compra tradicional da distribuidora local.

O que mudou no mercado de energia desde 2012

De 2012 para cá, o setor começou a ver tecnologia suficiente para permitir que o pequeno consumidor/gerador passe a gerar a própria energia. E um marco importante foi a resolução da geração distribuída, que viabilizou essa entrada do pequeno gerador.

Na prática, isso trouxe uma ruptura: antes, a compra de energia ficava basicamente restrita à distribuidora que atendia a cidade/região. Com as mudanças, o mercado começou a abrir novas possibilidades.

Quais possibilidades de solução existem para buscar economia

Dentro do que existe hoje no mercado e aparece com frequência nas dúvidas do varejo, as possibilidades mais citadas são:

  • Geração distribuída (o pequeno gerador passando a gerar a própria energia)
  • Compra de energia no Mercado Livre de Energia
  • Placas solares como alternativa tecnológica de geração

A pergunta que precisa guiar a decisão não é “qual é a mais falada?”, e sim “o que é viável de verdade para a realidade do meu supermercado?”. Isso exige entender como essas modalidades funcionam e como a regulação vem tornando tudo isso possível.

Oferta de energia, transmissão e o impacto no cenário

O Brasil criou incentivos para energia solar e outras renováveis, e existe uma vocação natural para isso. O resultado é que hoje há bastante oferta de energia, mas existe uma restrição importante: a capacidade de transmissão.

Uma parte relevante de usinas de grande porte está no Nordeste, enquanto boa parte do consumo do país está concentrada no Sudeste (Rio, São Paulo e Minas). Essa desproporção aumenta a necessidade de investimento em transmissão para equalizar o sistema.

Nesse contexto aparece um termo importante: curtailment, quando é necessário reduzir a geração de uma usina de grande porte. Ou seja: não é só “gerar mais”; é conseguir escoar essa energia.

Baterias e novas frentes: o que observar no horizonte

Uma alternativa mencionada para ajudar a suavizar esse transporte/uso de energia é o uso de baterias. É um tema em que a regulação está avançando para viabilizar.

Além disso, o Brasil já tem uma base energética relativamente limpa (historicamente pela hídrica) e ainda tem forte potencial em:

  • Solar
  • Eólica
  • Eólica offshore (com grande potencial, mas custo ainda alto)

A eólica offshore funciona como estruturas fincadas um pouco afastadas da costa, gerando energia no mar. Existem também ideias/equipamentos para gerar energia a partir do movimento das ondas, mas ainda sem escala e com eficiência que não justifica no momento.

Como transformar esse cenário em ação prática no seu supermercado

Se energia representa de 4% a 8% das suas despesas, ela merece um lugar fixo na rotina de gestão. O caminho mais seguro é começar pelo básico: clareza de impacto e clareza das opções.

  • Coloque energia no radar de despesas e trate como linha relevante (não como “conta que vem todo mês”).
  • Faça a conta no seu negócio: energia como % do faturamento e como % das despesas totais.
  • Liste as alternativas que você vai avaliar: geração distribuída, Mercado Livre de Energia, placas solares.
  • Evite decidir sem entender o funcionamento: o mercado mudou rápido por tecnologia e regulação; decisão boa começa por compreensão.
  • Acompanhe o tema de baterias e regulação, porque isso tende a influenciar a viabilidade das soluções no tempo.

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!