Funcionário sem caráter no supermercado é um dos maiores ralos de dinheiro e de ambiente de equipe. Conhecimento se treina, processo se ajusta, mas caráter é um limite: quando existe desvio, o prejuízo aparece em silêncio e o clima da loja piora.
Na prática, o dono costuma demorar para enxergar. E quando percebe, muitas vezes já virou rotina: alguém “faz errado, mas faz bem feito”, e isso é o pior cenário para a empresa.
Conhecimento dá para treinar. Caráter, não
Pessoas com boa vontade aprendem. Algumas vão ter mais dificuldade, outras menos, mas com disposição elas evoluem. Agora, quando o problema é caráter, não estamos falando de falta de treino: estamos falando de valores inegociáveis.
Caráter não é um curso. É algo que vem de formação e escolhas pessoais. Para mudar, a pessoa precisa de uma transformação profunda — e esse preço a empresa não consegue (e não deve) pagar.
O que é “desvio de caráter” no dia a dia da loja
O sinal mais perigoso é quando a pessoa faz algo errado e, na cabeça dela, aquilo “está tudo bem”. Ela cria justificativa: “o dono tem demais”, “é só um troco”, “é só um cupom”, “é só uma mercadoria que entrou diferente”.
Esse tipo de racionalização é um alerta porque indica repetição. Não é acidente, é padrão.
Onde esse perfil costuma gerar prejuízo invisível
No supermercado, esse problema costuma aparecer em rotinas operacionais que permitem esconder o erro dentro do processo. Alguns exemplos típicos do chão de loja:
- Desvio de troco no caixa.
- Cancelamento de cupom de forma indevida.
- Recebimento de mercadoria errada (e a loja ficando com o prejuízo).
- “Ganhar um dinheirinho” do fornecedor em negociação e compra (por fora).
O paradoxo aqui é clássico: não há nada tão ruim para a empresa quanto uma coisa errada bem feita. Quando a pessoa é esperta e “opera” o sistema, ela consegue dar aparência de normalidade para o desvio.
Por que a equipe sabe antes do dono
Esse é outro ponto que o dono precisa encarar: muitas vezes, o time inteiro percebe, comenta e convive com isso. Só o dono acha que está “em segredo”.
Quando a liderança tolera esse tipo de comportamento, mesmo sem querer, ela passa uma mensagem perigosa: vale a pena tentar. E aí o problema deixa de ser de uma pessoa e começa a contaminar a cultura.
Como agir sem romantizar e sem improvisar
O dono precisa ter clareza de que comportamento inapropriado não é negociável, mesmo quando a pessoa “entrega resultado”. E, ao mesmo tempo, precisa agir com respaldo, sem aventuras.
- Defina o que é inegociável dentro da sua operação (o que não pode acontecer hipótese nenhuma).
- Não trate desvio como “jeitinho”: errado é errado.
- Evite resolver no impulso: em qualquer dúvida, procure um advogado para orientar os próximos passos e garantir respaldo legal.
O que fazer a partir de hoje na sua gestão
- Reforce o princípio: conhecimento se treina; caráter é filtro de permanência.
- Revise rotinas sensíveis (troco, cancelamento de cupom, recebimento de mercadoria, compras e negociação).
- Observe justificativas: quando alguém “normaliza” o errado, é sinal de risco.
- Não isole o problema: entenda o impacto no time e no ambiente da loja.
- Busque orientação jurídica antes de qualquer medida mais dura, para agir certo e protegido.