Fechamento financeiro mensal no supermercado: pare de gerir no achismo

Fechamento financeiro mensal no supermercado: pare de gerir no achismo

Fechamento financeiro mensal no supermercado não é opcional. Sem ele, a gestão vira achismo: “acho que tive lucro”, “acho que sobrou dinheiro”. E aí acontece o erro mais comum: confundir lucro com saldo em caixa.

Reforma, investimento, financiamento, tudo isso mexe com o dinheiro que sobra, mas não explica o resultado real do negócio se não estiver medido. Gestão adulta é fazer o que tem que ser feito: fechar o mês e enxergar onde o lucro está escapando.

O que o fechamento mensal resolve (e o que ele impede)

O fechamento mensal coloca números no lugar de opinião. Ele impede desculpas e revela pontos cegos que, somados, “comem” uma fatia grande do lucro na última linha.

Sem fechamento, a operação pode parecer “ok” porque o caixa está respirando em alguns momentos. Mas quando você para de pagar um investimento ou termina uma reforma e o dinheiro não aparece, fica claro que o problema estava escondido dentro da operação.

Fechamento contábil x fechamento gerencial

O contábil é importante e a contabilidade vai te entregar. Só que o dono de supermercado precisa do gerencial para gerenciar de verdade:

  • DRE gerencial
  • Fluxo de caixa gerencial

Isso pode ser organizado de forma sistêmica ou até em planilha. Se for necessário implementar um plano de contas no sistema, a maioria dos sistemas hoje atende.

A ordem correta: alinhe compra e venda antes de entrar nos detalhes

Depois de ajustar o “compra e venda” (o comercial com o financeiro), o fluxo de caixa já dá uma respirada. A partir daí, você entra para dentro da operação para olhar rubrica por rubrica e entender o que está caro demais, o que está fora de controle e o que virou desperdício.

O fechamento mensal mostra onde o lucro está indo embora

Quando você olha as rubricas com atenção, aparecem surpresas que passam batido no dia a dia. Um exemplo clássico é quando a linha de rescisões sobe demais: um índice alto indica turnover alto e isso precisa ser investigado.

  • Existem rescisões menos custosas (quando o funcionário pede desligamento).
  • E existem rescisões mais custosas (quando a empresa manda embora e assume todo o ônus).

Se as rescisões estão pesadas, alguma coisa está errada: contratação, ambiente de trabalho ou a forma como as pessoas estão sendo geridas. E isso precisa aparecer no seu gerencial para virar ação.

Departamento pessoal: turnover e hora extra precisam virar número de gestão

Dois itens que merecem olho aberto no fechamento mensal:

  • Turnover/rescisões
  • Hora extra

Às vezes, um ajuste de escala já derruba o volume de horas extras. Em alguns casos, banco de horas pode ajudar. Mesmo quando o mercado local “puxa” para pagar hora extra, o mínimo é ajustar para isso ficar dentro de uma realidade e não virar sangria.

Se a folha está passando do ponto, você está deixando de ganhar. Ter custo baixo em outra linha (por exemplo, não pagar aluguel) não é justificativa para estourar a folha. Isso é a “desculpinha” que o fechamento mensal para de deixar passar.

Operação também sangra: energia e itens de consumo

O fechamento gerencial ajuda a pegar distorções como energia cara por erro de planejamento: quando existe financiamento e ainda sobra uma conta residual alta, a operação está pagando duas vezes e isso precisa ser enxergado.

Outra área que costuma estourar sem ninguém olhar é material de consumo/insumo/embalagem:

  • Sacola
  • Bandeja
  • Bobina/filme
  • Papel acoplado
  • Sacos em tamanhos inadequados para o produto

O problema é que, quando o supermercado compra para três meses, só olha de novo daqui a três meses. Como o prazo é longo, a despesa vai “sumindo” no meio da operação e o consumo fica sem controle.

Controle de embalagem é processo, não opinião

Se é custo, tem que controlar. E controle aqui não é discurso: é processo de uso correto e distribuição consciente.

  • Evite desperdício visível no manuseio (queda, quebra, peça usada para anotação).
  • Padronize tamanhos de sacos por tipo de produto (não faz sentido saco grande para poucos dentes de alho).
  • Revise compra para não estocar tamanho errado só porque “sempre foi assim”.

Sem o fechamento gerencial para mostrar o número, esse ponto cego nunca aparece. E se você não vê, você não corrige.

Para executar ainda este mês

  • Feche o mês com DRE gerencial e fluxo de caixa gerencial (em sistema ou planilha).
  • Alinhe compra e venda (comercial e financeiro) antes de mergulhar nas rubricas.
  • Separe e acompanhe rubricas de departamento pessoal: rescisões/turnover e hora extra.
  • Abra a linha de consumo (sacola, bandeja, bobina, sacos) e controle o uso com processo.
  • Crie regra de revisão mensal das rubricas que mais “passam batido”, para não depender de memória ou sensação.

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!