O que não se mede não se controla: manutenção, contratações e caixa para o supermercado não quebrar no detalhe

O que não se mede não se controla: manutenção, contratações e caixa para o supermercado não quebrar no detalhe

Gestão de supermercado começa numa regra simples: o que não se mede, não se controla. E, na prática, o que mais derruba o resultado não é o “grande erro” visível — são vazamentos diários em manutenção, rescisões e investimento feito sem caixa.

A boa notícia é que dá para corrigir isso com rotinas muito objetivas, de chão de loja, sem depender de sistema caro e sem teoria. O foco é criar controle para tomar decisão com número, não com sensação.

Controle de manutenção: pare de pagar peça duas vezes

Manutenção sem controle vira um ralo. A recomendação é ter um controle de manutenção com ordem de serviço, mesmo que seja impresso. O objetivo é saber exatamente o que foi feito, o que foi vistoriado e o que foi trocado.

Um formato simples que funciona:

  • Crie uma ordem de serviço interna (pode ser impressa).
  • Exija a ordem de serviço do prestador detalhada.
  • Grampeie as duas juntas e arquive por equipamento/veículo.

E tem uma regra que evita golpe e “esquecimento”: se o serviço for por troca, a peça antiga fica na loja. Se o prestador disse que trocou compressor, motor ou qualquer peça, a peça retirada não pode simplesmente sumir. Essa conferência protege a operação porque já aconteceu de peça “voltar” depois de um tempo como se fosse outra troca.

  • Se trocou, a peça antiga fica.
  • Se não for peça a peça, ninguém retira peça da sua loja.

Rescisões: o prejuízo começa na contratação (e piora quando passa da experiência)

Outro vazamento clássico é contratação sem critério e demissão tardia. Na prática, muitos donos contratam rápido e demoram para demitir. O problema é que, quando passa o período de experiência, a conta da rescisão tende a ficar mais cara.

Se existe um ponto para ficar atento é este: problema com funcionário começa na contratação. Para reduzir rescisões, o caminho é ajustar a entrada e sustentar o time com liderança e processo.

  • Revisar como está contratando para diminuir a chance de erro.
  • Garantir que decisões de permanência aconteçam dentro do período de experiência, quando necessário.
  • Treinar lideranças para aumentar tempo de permanência do colaborador.
  • Melhorar processos para fazer a mesma operação com menos gente.

Quando você combina contratação melhor + liderança + processo, aumenta produtividade e reduz a conta de rescisões que “come” o resultado todo mês.

Investimento sem geração de caixa: alguém sempre paga o pato

Muitos supermercados se endividam porque investem antes de ter folga real. A lógica é direta: só dá para investir com dinheiro sobrando — e esse dinheiro é a geração de caixa.

Geração de caixa é o que sobra depois de:

  • Vender
  • Pagar imposto sobre a venda
  • Pagar fornecedor
  • Pagar todas as despesas de operação

É desse caixa que saem imposto de renda, retirada/antecipação de lucro e investimento. Se a loja não gera caixa suficiente e mesmo assim investe, a conta aparece em algum lugar: folha estoura, imposto atrasa, começa antecipação de cartão, entra conta garantida. E quando o dinheiro é de terceiro, fica caro.

Outro ponto que confunde muita gente: comprar errado e comprar demais também é investimento, só que enterrado no estoque. Quando isso acontece, a conta também para de fechar.

Fechamento do mês: sem número, o dono fica sem direção

No final do mês, sem fechamento, você fica perdido — porque os números não mentem. O indicador que precisa estar na mesa todo mês é: quanto a loja gerou de caixa. É isso que determina se dá para investir, quanto dá para retirar e qual o limite de erro que o negócio aguenta.

Um erro comum é a conta não fechar por retirada e dívida ao mesmo tempo. Exemplo de lógica: se a loja gera um caixa final e o dono tira uma parte grande, mas existe empréstimo mensal para pagar, vai faltar caixa todo mês. Em pouco tempo, o buraco aparece.

Executar agora: rotina prática para estancar vazamentos

  • Manutenção: implantar ordem de serviço interna e exigir a do prestador; grampear e arquivar juntas por equipamento/veículo.
  • Manutenção: regra de ouro: peça trocada não sai da loja; peça antiga fica para conferência.
  • Equipe: revisar a contratação para reduzir erro de entrada e tomar decisão no período de experiência quando necessário.
  • Liderança e processo: treinar lideranças para aumentar permanência e ajustar processos para operar com menos gente fazendo a mesma coisa.
  • Caixa: todo fechamento mensal precisa responder: quanto gerou de caixa; investimento e retirada só depois dessa conta.
  • Compra/estoque: evitar compra além do necessário, porque excesso vira dinheiro preso e derruba o caixa.

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!