Gestão de supermercado: volte ao básico e elimine perdas invisíveis

Gestão de supermercado: volte ao básico e elimine perdas invisíveis

Gestão de supermercado melhora rápido quando o dono para de “inventar moda” e volta a fazer o básico bem feito, todos os dias. O problema é que o básico não tem glamour: é rotina, checagem e disciplina.

Quando o resultado aperta, quase sempre não é falta de ideia nova. É falta de execução do essencial: preço na gôndola, loja limpa, operação rodando, atendimento e zero ruptura no que mais vende.

O que é o “básico bem feito” no supermercado

Voltar ao básico é colocar energia no que sustenta venda, giro e experiência do cliente. Na prática, é trabalhar com método: precificação, operação, limpeza, atendimento e ruptura sob controle.

  • Precificação eficiente: não é “estratégia de preço”. É ter preço na gôndola e não ter preço errado (um na etiqueta e outro no caixa).
  • Operação rodando: processos funcionando como “operação militar”: tarefas claras e repetidas, sem depender de improviso.
  • Limpeza sempre: supermercado vende comida. Loja suja derruba a percepção, mesmo com produto embalado.
  • Atendimento extraordinário: o cliente sente a loja na prática: organização, apoio e fluidez na compra.
  • Ruptura zero na curva A: não pode faltar o que mais vende. Se falta, a venda não acontece.

Precificação: o erro que mais queima venda sem o dono perceber

Dois problemas aparecem o tempo todo no chão de loja:

  • Produto sem preço na gôndola.
  • Preço divergente: o cliente vê um valor na etiqueta e paga outro no caixa porque a promoção mudou e ninguém alterou o preço.

Isso vira reclamação imediata, aumenta stress no caixa e enfraquece confiança. O ponto central é simples: tudo tem que estar com preço e não pode existir preço errado. Para acontecer, precisa de rotina e processo rodando certo.

Frente de loja e checkstand: ruptura pequena que derruba ticket

Frente de loja (checkstand) costuma ser tratada como detalhe. Só que ali mora uma perda invisível: ruptura de itens que vendem todo dia.

Um erro comum é ter 4 ou 5 checkouts com guloseimas, mas deixar determinado item em apenas um deles. Aí fica a pergunta operacional: como garantir que o cliente vai passar exatamente no checkout que tem o produto?

O caminho prático é padronizar: cada checkstand deve ter praticamente todos os itens básicos. Pode ter alguma variação, mas o essencial precisa estar em todos para não virar “lotaria” de venda.

Rotina que funciona tem checagem (senão não acontece)

O dono normalmente gosta do resultado, mas não gosta da rotina. Só que supermercado é rotina pesada todos os dias: se não fizer, aprende do pior jeito (perdendo venda ou indo para o buraco).

Rotina só vira realidade com checagem. Não basta mandar fazer. Tem que acompanhar com gerente, supervisor, encarregado e líder.

  • Delegou? Acompanhe até ser entregue.
  • Passou a tarefa? Mostre o padrão do que é “certo” (sequência, organização, como quer a arrumação).
  • Terminou? Volte e confira se ficou bom.

Um princípio que resolve muito: acompanhe o problema até ele ter sido eliminado ou se tornar irrelevante. Delegar e “sumir” é o caminho mais curto para a rotina morrer.

Marketing também é rotina: levar gente para dentro

Venda não “acontece sozinha”. É preciso criar mecanismos para levar pessoas até a loja. Até ações simples, como carro de som, precisam de orientação e acompanhamento:

  • Em vez de rodar só em volta da loja (onde o cliente já está), direcione para rodar mais longe e vir “de fora para dentro”.
  • O gerente precisa acompanhar: perguntar onde está rodando, pedir foto, conferir rota.

Sem acompanhamento, mesmo quando a orientação é clara, as pessoas não fazem.

Comece pelo essencial e por aquilo que dá resposta rápida

Quando o resultado estiver ruim, antes de procurar a “grande sacada”, vá no básico e olhe o óbvio:

  • Loja limpa ou suja?
  • Há produto sem preço? Há preço errado?
  • Gôndola organizada e abastecida?
  • Ruptura dos mais vendidos controlada?
  • Frente de loja com itens básicos em todos os checkouts?

Conclusão prática

O supermercado não precisa de moda. Precisa de disciplina: rotinas claras + checagem + correção rápida. O básico bem feito todos os dias sustenta venda, reduz reclamação, diminui ruptura e melhora a percepção da loja.

  • Preço: conferir se todo item exposto tem etiqueta e se não existe divergência com o caixa.
  • Frente de loja: padronizar checkstands para que todos tenham os itens básicos (evitar “vender por sorte”).
  • Ruptura: checar os itens mais vendidos e corrigir falta no mesmo dia.
  • Limpeza e organização: revisar áreas sensíveis (como açougue e hortifruti) e corrigir imediatamente.
  • Rotina com checagem: delegar, orientar o padrão e voltar para conferir se ficou certo.

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!