Pricing no supermercado começa na compra, não na etiqueta

Pricing no supermercado começa na compra, não na etiqueta

Pricing no supermercado não é uma decisão que acontece quando o produto já está na gôndola. Ele começa antes: na negociação com o fornecedor. Se o comercial compra mais volume, aceita verba, fecha condição especial e depois “vê o que faz” com o preço, o resultado costuma ser o mesmo: esforço grande e ganho pequeno.

O caminho mais seguro é transformar cada compra em um plano completo: exposição, preço, produto-iscas, margens de compensação e meta de margem no mês. É isso que tira a precificação do improviso e coloca dinheiro de verdade na última linha.

O comercial não compra só produto: compra um plano de preço, exposição e giro

Qualquer produto que entra com condição especial (mais volume, melhor desconto, verba) precisa sair da negociação com um plano definido. Não importa o tamanho da loja: se comprou mais café do que o normal, por exemplo, não dá para depender de “se der sorte o cliente leva mais alguma coisa”.

Na prática, a negociação precisa responder, antes do pedido entrar:

  • Vai ter ponto extra ou ponta de gôndola?
  • Qual preço será praticado?
  • Quais produtos correlatos vão compensar margem?

Quando isso não é definido na compra, acontece o clássico: “ganhei 50 centavos por pacote, vou baixar o preço”. E aí a pergunta fica no ar: o que adiantou comprar melhor, se a estratégia virou só reduzir preço e torcer por volume?

Use produtos correlatos para compensar margem e não “pagar” a oferta com o caixa

Quando um item vira protagonista (café, leite, ou qualquer outro), o preço agressivo pode ser uma isca para trazer o cliente. O erro é fazer isso sem amarrar a compensação.

O ponto-chave é planejar junto quais itens do entorno vão segurar a margem. Se um item vai com margem baixa, alguém precisa sustentar o resultado do setor e, principalmente, do mês.

  • Se o destaque for no leite, decida se ele será o item agressivo ou se ficará no setor com preço normal enquanto outro item recebe o destaque.
  • O importante é impulsionar as vendas dos dois ao mesmo tempo, com papel claro de cada um (isco vs. margem).

Verba de fornecedor não é ordem: é ferramenta

Às vezes o fabricante coloca a condição: “dou um dinheiro, mas você precisa aplicar no produto que estou vendendo”. Só que a decisão precisa ser gerencial: isso é vantajoso?

Porque existe um jogo possível (e muitas vezes mais inteligente): somar a verba de um fornecedor com verba de outros e aplicar em um item específico que você quer vender mais barato para girar. O ponto é não aceitar automaticamente a regra do fornecedor sem entender o impacto no seu pricing e no seu caixa.

Sair do pensamento do markup único: hoje isso quebra a loja

Houve um tempo em que “multiplicar a nota por um fator e esse é o preço final” funcionava. Era outro Brasil, com hiperinflação, sem gestão de preço e sem gestão de estoque como se exige hoje.

Hoje, colocar um markup padrão (como 50% em tudo) é um caminho rápido para perder competitividade e margem ao mesmo tempo. O negócio virou gestão: preço por estratégia, por categoria, por papel do produto e por meta final de resultado.

Nem todo produto precisa ter margem alta, mas o mês precisa bater a meta

O maior bloqueio de muitos supermercadistas é não aceitar margem baixa em alguns produtos. Só que a regra do jogo não é “todo item com margem alta”. A regra é: no fim do mês, a margem precisa fechar na meta.

Se algum produto saiu com 7% de margem, o que importa é o DRE fechar com a margem-alvo. O foco não é margem item a item isolado; é margem do conjunto, com estratégia.

Faça DRE por departamento para enxergar onde a loja ganha e onde a loja banca

Uma forma gerencial poderosa de medir e precificar é trabalhar com DRE por departamento. Cada departamento (padaria, açougue, etc.) passa a ter sua visão de resultado gerencial.

Quando isso é feito, aparece com clareza algo que muita gente sente mas não mede: tem setor que vende barato e parece que “não dá lucro”, e tem setor que compensa. E o mais importante: você passa a bancar conscientemente um setor que atrai fluxo, enquanto garante que outro setor fecha o lucro.

Supermercado não é sobre vender barato: é sobre dar margem e gerar caixa

Vender barato é estratégia pontual. É paliativo e isca para trazer cliente para dentro. O supermercado precisa dar dinheiro, precisa sobrar dinheiro na última linha e precisa ser gerador de caixa.

Por isso a pergunta que não pode faltar na rotina de gestão é direta: está sobrando dinheiro todo mês? Porque vender muito sem geração de caixa vira uma ilusão operacional.

Execução prática para aplicar hoje

  • Antes de fechar qualquer compra maior que o normal, defina preço, exposição e se haverá ponta de gôndola/ponto extra.
  • Para cada item que virar “isco”, escolha produtos correlatos que vão segurar margem e deixe isso combinado entre comercial e pricing.
  • Ao receber proposta de verba, valide se faz sentido aplicar no item do fornecedor ou se é melhor compor verbas e escolher o item que precisa girar.
  • Pare de usar markup único: trate margem como estratégia por produto e por departamento.
  • Feche um DRE gerencial por departamento para enxergar quais setores bancam quais e ajustar preço com consciência.
  • Todo fim de semana, faça a pergunta-chave: a operação está gerando caixa e sobrando dinheiro no mês?

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!