Os custos invisíveis que estão comendo o lucro do seu supermercado (e como controlar no dia a dia)

Os custos invisíveis que estão comendo o lucro do seu supermercado (e como controlar no dia a dia)

Muita gente acha que o supermercado está “rodando bem” só porque a loja está aberta, vendendo e pagando as contas. O problema é que, quando o dono não acompanha número e não atualiza a gestão, o lucro vai sendo consumido por despesas que parecem pequenas, mas corroem o resultado mês após mês.

Hoje o jogo mudou: o consumidor compra em vários canais, os grandes evoluem o tempo todo e quem tenta operar como antigamente começa a sentir o movimento cair. Se não existir rotina de controle, o mercado vira um buraco sem fundo e o patrimônio vai junto.

O jogo mudou e a gestão antiga não segura mais

Não dá para tratar o supermercado como era 5, 10 ou 15 anos atrás. O consumo mudou, os meios de pagamento mudaram e o cliente compra em mais lugares: supermercado, conveniência, farmácia, e-commerce, delivery, WhatsApp e aplicativo.

Se a loja não se atualiza e o dono não aceita aprender, a concorrência engole. E o pior: às vezes o dono nem percebe, porque não olha o número todo dia e não fecha o financeiro nem mensalmente.

Lucro de supermercado é apertado: qualquer “pontinho” vira uma pancada

Uma referência prática: o lucro do supermercado costuma ficar entre 3% e 5%. Quando você trabalha com percentuais assim, qualquer custo mal controlado vira uma fatia grande do lucro.

É por isso que custos “invisíveis” precisam virar rotina de gestão. A seguir estão quatro pontos cegos que comem o lucro todos os dias.

1) Manutenção: controle para não virar vazamento constante

Manutenção veicular, predial e de equipamento precisa ser controlada. A soma dessas três manutenções deve representar 0,5% da sua venda. Se não controla, tende a aumentar sem você perceber.

  • Veicular: às vezes o gasto com um carro está tão alto que seria melhor trocar, vender e recomprar em leasing, porque o custo de manutenção pode estar pagando o leasing.
  • Risco operacional: pode estar tomando volta do motorista ou da oficina.
  • Equipamentos: pode ter equipamento (especialmente refrigeração) consumindo tanto em gasto recorrente que seria mais barato comprar novo.
  • Ação obrigatória: parar e fazer conta. Manutenção parece irrelevante no dia a dia, mas ela não é.

2) Embalagens: sacola e filme viram prejuízo se não tiver controle

Outro custo que muita loja não olha: embalagem, sacola plástica e filme. Somados, precisam ficar em 0,7% a 0,8% no máximo. Sem controle, pode estar batendo perto de 2%.

Na prática, o desperdício costuma vir do chão de loja:

  • Funcionário brincando com filme.
  • Dando sacola para o cliente “a torto e a direito”.
  • Pisando em embalagem de bandeja para pegar outra.
  • Usando embalagem de bandeja para comer.

Isso tudo vira dinheiro indo embora sem ninguém assumir.

Como resolver de forma simples e imediata:

  • Criar um almoxarifado com embalagens trancadas.
  • Quem retirar precisa anotar e assinar.
  • Colocar um mínimo de burocracia para reduzir desperdício e “largueza” no consumo.

3) Rescisões: rotatividade comendo venda todo mês

Rescisões podem comer de 1% a 1,5% da venda todo mês. Ao longo do ano, em uma operação com 100 funcionários, isso pode virar algo como 30 a 50 rescisões no período, drenando resultado.

O caminho prático aqui é direto:

  • Melhorar a contratação para reduzir rescisões.
  • Antes de mandar embora, olhar com calma, porque desligar “por qualquer motivo” pode transformar rescisão em um ralo permanente de lucro.

4) Investimento: dá para quebrar crescendo

Outro ponto cego é o investimento feito acima da capacidade de caixa. Tem dono que quer melhorar e investe mais do que pode, aí quebra crescendo porque gasta mais do que consegue pagar.

  • O máximo de investimento para manter o controle é 1,5% do faturamento. Passou disso, começa a apertar.
  • Se as parcelas de financiamento/empréstimo (muitas vezes ligadas a investimento) passarem de 2,5%, a tendência é começar a ter dificuldade para pagar.
  • Antes de assumir parcela, precisa olhar a geração de caixa mensal e a capacidade real de pagamento.

Promoção e margem: não dá para querer tudo alto ao mesmo tempo

Um erro clássico é querer que todo produto tenha margem alta e, por causa disso, não fazer promoção para chamar cliente. O resultado aparece rápido: venda caindo mês a mês. Gestão é entender que a loja precisa de estratégia, não só de margem “bonita” na etiqueta.

Fechamento prático para aplicar agora

  • Manutenção: separar veicular, predial e equipamentos e conferir se a soma está em torno de 0,5% da venda.
  • Embalagens: calcular embalagem + sacola + filme e cobrar ficar entre 0,7% e 0,8%; se não estiver, trancar em almoxarifado e exigir retirada com assinatura.
  • Rescisões: medir o custo mensal e tratar contratação e desligamento como decisão financeira (não emocional).
  • Investimento: travar investimento em até 1,5% do faturamento e vigiar parcelas para não passar de 2,5%.
  • Rotina de gestão: não operar “no escuro”; acompanhar números e fazer pelo menos fechamento financeiro mensal.

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!