PAR (Produto de Alto Risco): como reduzir sumiço sem matar a venda no supermercado

PAR (Produto de Alto Risco): como reduzir sumiço sem matar a venda no supermercado

Produto sumindo na gôndola ou no estoque é um tipo de prejuízo silencioso que, quando vira rotina, pode drenar o caixa e colocar o supermercado numa situação financeira difícil de reverter.

Para atacar isso no dia a dia, o caminho é tratar alguns itens como PAR (produto de alto risco): separar, monitorar e decidir a melhor forma de expor sem destruir a venda.

O que é PAR e como identificar rápido na rotina

PAR é o produto que “some” com frequência e exige controle mais rigoroso. A forma prática de identificar é simples: olhar o que está desaparecendo e colocar em inventário rotativo até confirmar o padrão.

  • Primeiro sinal: apareceu falta acima do normal em um item específico.
  • Confirmação: entra no inventário rotativo do dia seguinte e é contado de novo.
  • Virou PAR: se dia após dia o item segue sumindo (e a falta se repete), ele passa a exigir monitoramento contínuo.

Alguns itens já têm natureza de alto risco, como desodorante, mas outros podem virar PAR dependendo do comportamento de perda da sua loja.

Separar e controlar no estoque: como criar rastreabilidade

Para itens facilmente “roubáveis” e com valor agregado alto, uma prática comum é manter esses produtos em área confinada no estoque.

  • Crie uma área com grade, porta e cadeado.
  • Defina que, para retirar, alguém precisa registrar que pegou o produto.
  • O objetivo é criar burocracia de rastreio: saber quem mexeu, quando mexeu e ter um caminho para investigar quando sumir.

Isso não elimina 100% a perda, mas minimiza consideravelmente. E essa é a lógica do PAR: separar, controlar e monitorar ao longo do tempo.

Confinar na área de venda derruba venda: decisão dura e necessária

Confinar produto na área de venda (armário trancado, pedir chave, etc.) tende a derrubar o resultado. A referência prática aqui é direta: confinado, o produto vende uma fração do que venderia exposto.

Por isso, a decisão é sempre um trade-off:

  • Manter confinado porque, mesmo vendendo pouco, ainda atende clientes específicos.
  • Ou parar de trabalhar o item, se o custo operacional e a perda forem maiores que o resultado.
  • Ou buscar outra solução de exposição que reduza furto sem “matar” o giro.

Essa avaliação é subjetiva e depende do papel do item na sua loja.

Alternativas práticas para reduzir furto sem travar a compra

Em vez de colocar o produto atrás de cadeado na área de venda, algumas estratégias funcionam melhor para manter o item “comprável” e ainda assim reduzir o risco.

  • Mudar a exposição: às vezes o problema é o local errado (exposto num lugar ruim). Ajustar o ponto pode reduzir a perda.
  • Aproximar do caixa: levar itens de alto valor agregado para perto dos caixas aumenta a inibição e facilita observação.
  • Usar “caixa”/modelo e retirar no caixa: deixar a embalagem ou um item de retirada no caixa tende a funcionar melhor do que confinar com cadeado.

Importante: tem categoria (como desodorante) em que confinar pode derrubar demais a venda. Em itens assim, o giro é grande e o controle precisa ser por monitoramento e processo, não por tranca que impede compra.

Números para olhar todo dia e não ser pego de surpresa

Além de tratar PAR, tem rotina diária que protege o caixa e organiza decisão comercial.

  • Compra e venda: acompanhar diariamente, porque descontrole aqui pode quebrar o caixa.
  • Venda diária: olhar todo dia para entender o ritmo real da operação.
  • Quantidade de cupons (fluxo): acompanhar a entrada e checar se está no mínimo de 2,77 clientes por metro quadrado de área de venda (para cada 100 m, 277 pessoas comprando), ajudando a entender se o marketing está funcionando.
  • Ticket médio: se o marketing traz gente para dentro, a arrumação e execução de loja têm que melhorar o tamanho do carrinho.
  • Trinca comercial (venda, custo e compra): quanto vendeu, qual foi o custo da venda e quanto comprou/entrou de produto. Se vendeu 200, custo foi 100, “sobraria” 100; mas se comprou 150, não sobra nada.

Execução prática para começar hoje

  • Escolha 1 a 3 itens que estão sumindo e coloque no inventário rotativo imediatamente.
  • Se a falta se repetir dia após dia, classifique como PAR e inicie monitoramento contínuo.
  • Para itens de alto valor agregado no estoque, crie área confinada com controle de retirada (registro de quem pegou).
  • Na área de venda, evite cadeado como primeira opção: teste mudança de exposição e aproximação do caixa.
  • Todo dia, confira compra e venda, venda diária, cupons e ticket médio; e compare venda, custo e compra/entrada para não “comprar lucro para fora”.

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Leandro Rosadas

Referência em gestão de supermercados, autor e criador de treinamentos renomados!