Uma das dores mais comuns do dono de supermercado é olhar o concorrente vendendo o mesmo item mais barato e pensar: “não tem como competir, a grande rede compra melhor”. Esse cenário existe mesmo, por causa de poder de compra.
Mas dá para aumentar competitividade com uma ação bem objetiva: parar de “mexer centavinhos” sem efeito e precificar os produtos notáveis com a diferença mínima que realmente gera percepção de barato no cliente.
O que são produtos notáveis (e por que eles puxam o tráfego)
Produtos notáveis são aqueles em que o cliente tem percepção de preço: ele sabe quanto custa, compara e decide rápido. Eles funcionam como geradores de tráfego, porque influenciam a imagem de preço da loja.
Essa percepção está ligada ao tipo de produto e à marca. Exemplo clássico: macarrão instantâneo. Dentro dele, existe uma marca que as pessoas “sabem o preço”. Se essa marca estiver no mesmo preço ou mais barata que a concorrência, você passa a ser visto como barato.
O erro que faz você baixar preço e mesmo assim não parecer barato
O erro é reduzir pouco e achar que o cliente vai perceber. Em produto notável, não adianta ficar ligeiramente abaixo do concorrente se a diferença não ultrapassar um “mínimo” que o cliente enxerga.
Exemplo direto: se o concorrente vende um macarrão instantâneo notável na faixa de R$ 2 a R$ 5, baixar de 2,29 para 2,15 pode não mudar nada na percepção. Para “parecer mais barato”, a diferença precisa atingir o mínimo da faixa.
A tabela de diferença mínima que gera percepção de preço
Use as faixas abaixo para decidir a diferença mínima de preço em relação ao concorrente nos seus produtos notáveis:
- R$ 0 a R$ 1: diferença mínima de R$ 0,05
- R$ 1 a R$ 2: diferença mínima de R$ 0,10
- R$ 2 a R$ 5: diferença mínima de R$ 0,20
- R$ 5 a R$ 10: diferença mínima de R$ 0,50
- R$ 10 a R$ 20: diferença mínima de R$ 1,00
- R$ 20 a R$ 50: diferença mínima de R$ 2,00
- R$ 50 a R$ 100: diferença mínima de R$ 5,00
A lógica aqui é simples: quanto maior o preço, maior precisa ser a diferença para o cliente reconhecer que está mais barato.
Como aplicar na prática nos itens que mais comparam
Primeiro, confirme se o item é notável (o cliente reconhece o preço e compara). Depois, veja a faixa de preço dele e aplique a diferença mínima.
Exemplo na faixa de R$ 2 a R$ 5: se o concorrente vende a 2,29, para gerar percepção de “mais barato” você precisa buscar pelo menos R$ 0,20 de diferença (ex.: 1,99).
Exemplo na faixa de R$ 20 a R$ 50 (como contrafilé/alcatra a 38): a diferença mínima passa a ser R$ 2,00. Para parecer mais barato, o preço teria que ser algo como 36.
O ponto-chave é: produto notável não é lugar de diferença invisível. Se for para brigar nele, brigue com a diferença que o cliente percebe.
O que isso resolve na competitividade contra grandes redes
Você não vai ganhar poder de compra da noite para o dia. Mas dá para escolher onde a percepção do cliente é mais sensível e estabelecer uma regra clara: nos itens notáveis, ou você está igual ou mais barato com diferença mínima. Quando faz isso, a loja passa a ser reconhecida como mais barata justamente nos itens que “formam opinião” no carrinho.
Para executar hoje:
- Liste os produtos notáveis (os que o cliente sabe o preço e compara).
- Identifique o preço do concorrente desses produtos (pelo menos do principal concorrente).
- Enquadre cada item na faixa correta (0–1, 1–2, 2–5, 5–10, 10–20, 20–50, 50–100).
- Aplique a diferença mínima da faixa para definir o preço que realmente “parece mais barato”.
- Corte reduções pequenas que não alcançam o mínimo (elas baixam margem e não mudam percepção).