Muita gente monta promoção achando que o cliente entrou na loja por causa da oferta do dia. Na prática, a maioria entra por hábito: precisa comprar e está acostumada com aquele supermercado.
Isso muda tudo. Se o cliente não sabe nem o que está em promoção, o papel do gestor é criar motivos claros para ele vir, perceber e comprar mais — alinhando oferta, calendário e comunicação ao jeito real como as pessoas vivem.
Entenda o ponto de partida: cliente não entra sabendo a promoção
No dia a dia, quando você pergunta na porta qual produto estava em promoção, a resposta mais comum é: o cliente não sabe. Ele veio porque veio. Isso é hábito.
Então, não adianta depender só de “oferta solta” esperando que ela puxe tráfego sozinha. É mais eficiente transformar promoção em evento, com nome, repetição e lugar marcado na semana.
Crie eventos para virar rotina de compra
Quando você cria um evento, você tira a promoção do modo “lista” e coloca no modo “compromisso”. Exemplos de eventos que funcionam exatamente com essa lógica: quarta do sofá, dia do pão, festival de pizza, festival de Danet.
- Objetivo do evento: levar o cliente para dentro da loja com novidade e recorrência.
- Resultado esperado: quando entra no hábito, passa a fazer parte da vida do cliente.
Supermercado é ligado com a vida. Por isso evento funciona: ele se encaixa no que a pessoa já faz na semana.
Monte promoções de acordo com o ciclo da semana (e do bolso)
O comportamento muda ao longo da semana. No começo, muita gente está mais contida; no fim de semana, tende a gastar mais (churrasco, cerveja, refeições diferentes). Isso influencia diretamente como você deve montar suas ofertas.
- Na segunda-feira, o cliente costuma lembrar que não tem tanto dinheiro: ele tende a buscar itens mais básicos.
- No fim de semana, ele se permite gastar um pouco mais.
A lógica é simples: a promoção precisa conversar com o momento real do cliente, não com a vontade do supermercado.
Use a feira de rua como referência para ganhar a compra de frutas e verduras
Se no seu bairro existe feira de rua, ela já criou um hábito: o cliente se programa para comprar FLV naquele dia. Em vez de brigar sem estratégia, puxe o hábito para dentro da sua loja.
- Se a feira é no sábado, faça promoção de frutas na sexta e no sábado.
- Se a feira é na quinta, faça “dia da fruta” na quarta e quinta.
- O ponto principal: faça um dia antes para arrastar o pessoal que já vai comprar.
Com o ajuste certo, dá para virar o jogo e fazer a “feira” acontecer no seu supermercado.
Fale como o cliente fala: o termo certo aumenta a resposta
Marketing é entrar na cabeça do cliente com as palavras que ele já usa. E isso muda de região para região:
- Tem lugar que chama compra de rancho.
- Tem lugar que fala compra do mês.
- Tem lugar que diz abastecer a dispensa.
- Em algumas regiões, existe o termo mistura.
Quando você usa os termos do cliente, fica mais fácil criar evento e comunicação que ele entende rápido. Exemplo prático: se “mistura” é comum na sua região, um evento como “terça da mistura” já nasce com familiaridade.
Jogue o jogo das plataformas: use o canal onde seu cliente está
Plataforma muda, comportamento muda, e a prioridade do supermercado precisa acompanhar isso. Se o público mais velho está usando Facebook, é lá que faz sentido anunciar. Se amanhã o hábito migrar para TikTok, muda o foco. Se cansarem de internet, volta para mídia tradicional, como carro de som.
O erro é tentar “brigar” com as regras do canal. Hoje, por exemplo:
- No Facebook, a plataforma empurra o uso de grupos (inclusive grupos locais e regionais), porque o usuário fica preso lá dentro.
- No WhatsApp, a plataforma empurra comunidades (não só lista de transmissão). Quando você tenta insistir em lista e toma bloqueio, está plantando no terreno dos outros sem seguir a regra do terreno.
- No Instagram, o esforço pode migrar de stories para reels conforme a entrega muda.
O ponto é: sabendo o novo jogo, faz sentido jogar o jogo que a plataforma quer.
O mundo muda rápido, e isso muda consumo e operação
Eventos globais e mudanças de comportamento batem direto na sua loja: preço de combustível, cenário internacional, sazonalidades, tudo altera custo, promoção e demanda.
Exemplos claros de mudança de hábito que impactaram o supermercado:
- Após a pandemia, aumentou a preocupação com limpeza, elevando a venda de produtos de limpeza.
- O pagamento digital acelerou: antes cartão e Pix eram uma fatia menor; depois passou a ser a maioria em muitas lojas, impulsionado pelo hábito de não encostar e usar aproximação.
- Quem não trabalhou marketing digital naquele período sofreu mais.
Gestão de supermercado hoje é adaptação contínua: estratégia, formato e comunicação precisam ajustar com frequência.
Para colocar em prática hoje
- Escolha 1 evento semanal (ex.: dia do pão, dia da fruta, festival) e dê nome fixo para repetir toda semana.
- Ajuste a promoção ao hábito do bairro: se tem feira de rua, faça FLV no dia anterior e no dia da feira.
- Revise sua grade de ofertas por dia da semana, considerando que o cliente tende a gastar diferente entre segunda e fim de semana.
- Troque os textos de comunicação para os termos que o cliente usa na sua região (rancho, compra do mês, abastecer a dispensa, mistura).
- Escolha o canal pelo hábito do cliente e siga a regra do canal (grupos no Facebook, comunidades no WhatsApp, formato que a plataforma entrega melhor).